A Microsoft lançou o seu buscador. Afora layaouts e outros diferenciais em relação ao manda-chuva dos “oráculos”, o Google, quero falar neste momento um pouquinho sobre a denominação escolhida pelo pessoal da empresa do Bill Gates. Pois eles escolheram (colheram no universo de palavras) a denominação “Bling”.
Às vezes pode parecer bastante simples e pouco trabalhoso se chegar a um nome para uma empresa, empreendimento, entidade, campanha, projeto etc. Mas geralmente não é bem assim. Na verdade, normalmente exige muito conhecimento e certas sensibilidades, derivadas de diversas experiências e de um inequívoco profissionalismos na área.
Na reportagem de ZH Digital, saída em 10 de junho passado (2009), Vanessa Nunes escreve que o codinome para o Bing durante os testes era Kumo. Antes disso, se chamava Windows Live Serch. Mas afirmou-se como Bing “por ser curto e sonoro”.
Carolina Aranha, gerente de serviços online da Microsoft Brasil, diz o seguinte:
“Precisávamos de um nome que representasse esse momento em que encontramos [na internet] aquilo que estávamos procurando. Está ligado [o nome Bing] à idéia de ‘bingo’”.
Repito: quando está assim “pronto”, tendemos a pensar que a denominação “nasceu” de uma forma fácil e até “espontânea”. Mas se pode ter certeza que implicou muito trabalho e “destreza” de uma equipe.
Não raro, a negligência à consulta de profissionais no assunto – isso de “deixa, que eu mesmo vou criar o nome” – acaba gerando denominações equivocadas e que colaboram muito para que o negócio ligeiro vá à breca.
Assim é que o investimento em “especialistas no assunto” pode ser muito rentável e evitar desperdícios, com trocas posteriores de denominação, quando não a perda total do capital aplicado num negócio onde muitos julgam (injusta e "tragicamente") o “dar um nome” somente “um detalhe”...
Para se ter prazer em ler e escrever é preciso ir além da gramática, das escolas literárias e técnicas prontas.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Camões e caboclos
Um Português muito antigo continua presente em falares de muita gente no Brasil e também em outras regiões lusófonas espalhadas pelo mundo. Aqui em nosso país, este falar, que revela uma permanência de elementos do idioma da época de Camões – ou até antes do tempo de vida do autor de Os Lusíadas – quase sempre é confundida com “falta de cultura”, no sentido de “carência de conhecimentos”.
Assim é que “nós, os cultos”, cheios de classeocentrimo, encaramos com um sorriso superior e desdenhoso ou mesmo nos escandalizamos ostensivamente quando ouvimos alguém dizer “carça” ao invés de “calça”, “bassoura” ao invés de “vassoura”, “bamo” ao invés de “vamos”, “mió” ao invés de “melhor” e várias outras tantas palavras ainda usuais. Julgamos, “nós, os esclarecidos”, estarmos diante de “gente ignorante”, que “não sabe falar corretamente”. Talvez se, de fato, tivéssemos conhecimentos mais vastos e um respeito humano maior, poderíamos ponderar que, antes de “erros”, estamos diante de formas de falar o Português (um dialeto ou semi-dialeto) que mantém laços com os falares antiguíssimos, trazidos pelos primeiros lusitanos que ocuparam o território brasileiro; resquícios de um modo de falar que já foi dominante e permaneceu conservado em determinadas comunidades em nosso país.
Acontece que as pessoas (enquanto grupo ou individualmente) que se usam de um vocabulário com tais “arcadismos” são seguidamente objetos de preconceito, que leva à discriminação. Piadas e gozações humilhantes são a demonstração e, ao mesmo tempo, um meio de difusão e reforço à exclusão do caboclo e do “vileiro”, ambos personagens segregados na periferia urbana brasileira.
O padrão dito “culto” do Português deriva de um processo, em última instância, baseado em arbitrariedades de quem, historicamente, detém o poder político-econômico – e não de alguma “inteligência mais elevada”. Ou seja, se falar “carça”, “bassoura”, “bamo”, “mió” não significa “inferioridade mental”, mas, simplesmente, a manutenção de traços lingüísticos com origens lá no Latim – o idioma trazido pelos soldados romanos já no século III a.C para a Península Ibérica, e que, em combinações múltiplas e complexas ao longo da história, veio a dar no Português de hoje, que, como língua viva, não parou nem vai parar de alterar-se na interação com diversos fatores da contemporaneidade.
Enfim, os falares “sertanejos”, “interioranos”, “caboclos”, “serranos”, “dos pobres”, “dos incultos” são variantes que deveriam ser mais estudadas, e não desprezadas como se fossem excrescências, subprodutos, lixos lingüísticos inaproveitáveis. Ao contrário: são, como já foi dito, permanências – do Português arcaico, como é chamado pelos estudiosos – que, por tradições culturais localizadas ou/e pelo isolamento geográfico, social e econômico de certas populações, manifestam a rica diversidade brasileira, e também de outros lugares do planeta, que usam “a última flor de Lácio” (como diz o poema de Olavo Billac, se referindo ao Português, uma língua com raízes na região central da atual Itália) com instrumento de comunicação.
* Num texto da primeira metade do século XV, a Crônica de D. Fernando, lê-se palavras grafadas exatamente assim: poboo ao invés de povo (o que era “b” virou “v”, como no caso de vassoura, que muitos ainda dizem “bassoura”); senssivees ao invés de sensíveis; fremosa ao invés de formosa; acreçentamento ao invés de acréscimo; comsselhou ao invés de aconselhou, etc.
** Li no Caderno de Cultura de ZH (26/02/05) a entrevista com o diretor do filme Língua, Victor Lopes. É sobre o Português falado em diversos lugares do planeta. “Toda noite, 200 milhões de pessoas sonham em Português”, diz o moço nascido em Moçambique (mas de nacionalidade portuguesa e radicada no Brasil há 28 anos – ele tem 41). Lopes também diz que é uma “relação de afeto” que faz uma língua sobreviver, mesmo sendo uma “entidade mutante”. Pela diversidade de comunidades lusófonas espalhadas por todos os continentes, Lopes afirma que “a língua portuguesa continua um grande laboratório da troca entre pessoas de culturas variadas”, completando: “O Brasil é um universo em si e a maneira como a língua é falada aqui também. O português mais bonito para mim é do Nordeste. Fico absolutamente fascinado porque mesmo os analfabetos usam a língua de uma maneira tão rica, tão forte: falam corretamente, misturam português arcaico com elementos africanos e gírias contemporâneas. É muito bonito.” Dizem que o filme nos faz observar a importância e complexidade gramatical, histórica, cultural e até geográfica do Português; faz-nos sentir “apaixonado[s], encantado[s] pela língua portuguesa”. Lopez assevera: “Brasileiro tem mania de subestimar sua língua, de achar que o inglês é mais importante”.
*** No livro O que é o português brasileiro, o autor, Hildo H. do Couto, lingüista e professor da UnB, propõe uma comparação entre três frases grafadas no chamado “português culto”, no “português caboclo” e em inglês. Respectivamente: “Todas as meninas pequenas chegaram atrasadas”; “As menina pequena chegô tudo atrasado” e “All the young little girls arrived late”. Após esclarecer que a variante cabocla nada mais é de que um desenvolvimento particular da língua portuguesa e não algum tipo de aberração, diz que a frase é perfeita “do ponto de vista da informação a ser transmitida”. O lingüista destaca que “a frase culta informa seis vezes (em todas as palavras) que se trata de mais de um (plural), e cinco vezes “que se trata de ser do sexo feminino”. Sem esta profusão de indicações de número plural e ser feminino, Couto pergunta: “quem ousaria dizer que a frase cabocla não informa tudo que a culta informa?” A seguir, compara a frase equivalente em inglês (anotada acima) com as variantes “culta” e “cabocla”, concluindo que o a fala característica de regiões interioranas do Brasil se aproxima muito mais da língua mais “chique” e internacional do mundo contemporâneo. Encerra o seu raciocínio dizendo que “o conceito de ‘bom’, ‘correto’, ‘superior’ e outros semelhantes não são absolutos, mas relativos a contextos”.
Assim é que “nós, os cultos”, cheios de classeocentrimo, encaramos com um sorriso superior e desdenhoso ou mesmo nos escandalizamos ostensivamente quando ouvimos alguém dizer “carça” ao invés de “calça”, “bassoura” ao invés de “vassoura”, “bamo” ao invés de “vamos”, “mió” ao invés de “melhor” e várias outras tantas palavras ainda usuais. Julgamos, “nós, os esclarecidos”, estarmos diante de “gente ignorante”, que “não sabe falar corretamente”. Talvez se, de fato, tivéssemos conhecimentos mais vastos e um respeito humano maior, poderíamos ponderar que, antes de “erros”, estamos diante de formas de falar o Português (um dialeto ou semi-dialeto) que mantém laços com os falares antiguíssimos, trazidos pelos primeiros lusitanos que ocuparam o território brasileiro; resquícios de um modo de falar que já foi dominante e permaneceu conservado em determinadas comunidades em nosso país.
Acontece que as pessoas (enquanto grupo ou individualmente) que se usam de um vocabulário com tais “arcadismos” são seguidamente objetos de preconceito, que leva à discriminação. Piadas e gozações humilhantes são a demonstração e, ao mesmo tempo, um meio de difusão e reforço à exclusão do caboclo e do “vileiro”, ambos personagens segregados na periferia urbana brasileira.
O padrão dito “culto” do Português deriva de um processo, em última instância, baseado em arbitrariedades de quem, historicamente, detém o poder político-econômico – e não de alguma “inteligência mais elevada”. Ou seja, se falar “carça”, “bassoura”, “bamo”, “mió” não significa “inferioridade mental”, mas, simplesmente, a manutenção de traços lingüísticos com origens lá no Latim – o idioma trazido pelos soldados romanos já no século III a.C para a Península Ibérica, e que, em combinações múltiplas e complexas ao longo da história, veio a dar no Português de hoje, que, como língua viva, não parou nem vai parar de alterar-se na interação com diversos fatores da contemporaneidade.
Enfim, os falares “sertanejos”, “interioranos”, “caboclos”, “serranos”, “dos pobres”, “dos incultos” são variantes que deveriam ser mais estudadas, e não desprezadas como se fossem excrescências, subprodutos, lixos lingüísticos inaproveitáveis. Ao contrário: são, como já foi dito, permanências – do Português arcaico, como é chamado pelos estudiosos – que, por tradições culturais localizadas ou/e pelo isolamento geográfico, social e econômico de certas populações, manifestam a rica diversidade brasileira, e também de outros lugares do planeta, que usam “a última flor de Lácio” (como diz o poema de Olavo Billac, se referindo ao Português, uma língua com raízes na região central da atual Itália) com instrumento de comunicação.
* Num texto da primeira metade do século XV, a Crônica de D. Fernando, lê-se palavras grafadas exatamente assim: poboo ao invés de povo (o que era “b” virou “v”, como no caso de vassoura, que muitos ainda dizem “bassoura”); senssivees ao invés de sensíveis; fremosa ao invés de formosa; acreçentamento ao invés de acréscimo; comsselhou ao invés de aconselhou, etc.
** Li no Caderno de Cultura de ZH (26/02/05) a entrevista com o diretor do filme Língua, Victor Lopes. É sobre o Português falado em diversos lugares do planeta. “Toda noite, 200 milhões de pessoas sonham em Português”, diz o moço nascido em Moçambique (mas de nacionalidade portuguesa e radicada no Brasil há 28 anos – ele tem 41). Lopes também diz que é uma “relação de afeto” que faz uma língua sobreviver, mesmo sendo uma “entidade mutante”. Pela diversidade de comunidades lusófonas espalhadas por todos os continentes, Lopes afirma que “a língua portuguesa continua um grande laboratório da troca entre pessoas de culturas variadas”, completando: “O Brasil é um universo em si e a maneira como a língua é falada aqui também. O português mais bonito para mim é do Nordeste. Fico absolutamente fascinado porque mesmo os analfabetos usam a língua de uma maneira tão rica, tão forte: falam corretamente, misturam português arcaico com elementos africanos e gírias contemporâneas. É muito bonito.” Dizem que o filme nos faz observar a importância e complexidade gramatical, histórica, cultural e até geográfica do Português; faz-nos sentir “apaixonado[s], encantado[s] pela língua portuguesa”. Lopez assevera: “Brasileiro tem mania de subestimar sua língua, de achar que o inglês é mais importante”.
*** No livro O que é o português brasileiro, o autor, Hildo H. do Couto, lingüista e professor da UnB, propõe uma comparação entre três frases grafadas no chamado “português culto”, no “português caboclo” e em inglês. Respectivamente: “Todas as meninas pequenas chegaram atrasadas”; “As menina pequena chegô tudo atrasado” e “All the young little girls arrived late”. Após esclarecer que a variante cabocla nada mais é de que um desenvolvimento particular da língua portuguesa e não algum tipo de aberração, diz que a frase é perfeita “do ponto de vista da informação a ser transmitida”. O lingüista destaca que “a frase culta informa seis vezes (em todas as palavras) que se trata de mais de um (plural), e cinco vezes “que se trata de ser do sexo feminino”. Sem esta profusão de indicações de número plural e ser feminino, Couto pergunta: “quem ousaria dizer que a frase cabocla não informa tudo que a culta informa?” A seguir, compara a frase equivalente em inglês (anotada acima) com as variantes “culta” e “cabocla”, concluindo que o a fala característica de regiões interioranas do Brasil se aproxima muito mais da língua mais “chique” e internacional do mundo contemporâneo. Encerra o seu raciocínio dizendo que “o conceito de ‘bom’, ‘correto’, ‘superior’ e outros semelhantes não são absolutos, mas relativos a contextos”.
Curaçau
Quero comentar uma matéria – uma das várias interessantes que li numa pilha de Revista Geográfica Universal dos anos de 1980 e início dos 90, editadas pela Bloch, que o camarada Rafael Amorim me emprestou dias atrás. Saiu no número de fevereiro de 1990, falando sobre a ilha de Curaçau, que forma o arquipélago da Antilhas Holandesas, no Caribe, a 60 quilômetros da costa da Venezuela.
Curaçau é conhecida como "A Pequena Amsterdã", por suas ruas e prédios que lembram a metrópole holandesa. E também é conhecida pelo seu licor: o Licor de Curaçau, mundialmente falsificado e multicor. A bebida original é feita (ainda hoje, pelo que sei) a partir do óleo da casca de uma laranja amarguenta, fruto da adaptação de uma laranjeira trazida pelos espanhóis, a Valença, e que sofreu alterações "fisiológicas" pelo clima e solo da ilha.
Bem, vocês sabem o que quer dizer "curaçau"?
Sim! Quer dizer "coração". Percebam que é muito parecido com o jeito (sotaque) que os portugueses ainda hoje falam a palavra "coração": “Oh, bela rapariga, meu curaçau é todo seu!”
Pois em Curaçau se fala uma língua onde há muito do português, o papiamento. Colonizada por holandeses e africanos, a cultura e a língua nativas de Curaçau tiveram influência de famílias judias (os chamados sefaradim) saídas do Brasil, fugindo da inquisição (perseguição da Igreja Católica) em nosso país, lá em meados do século XVII.
O papiamento tem também fortes origens em outro arquipélago, o Cabo Verde, entreposto de escravos africanos usados por Portugal – na época deste abjeto comércio –, depois levados para trabalhar na América. Além, entram elementos do inglês, espanhol e francês, além do holandês e português, que já mencionei. Essa língua "misturada" e única é oficial em Curaçau, ao contrário do que acontece nas outras ilhas do arquipélago, que adotaram o idioma do colonizador (ou invasor?).
Algumas expressões: “Bom bini”, quer dizer, “Bem-vindo”; “Masha danky, amigu”, significa “Muito obrigado, amigo.”
Há bancos e lojas em Willemstad, que é a capital do arquipélago, em Curaçau, com nomes e sobrenomes tipicamente luso-brasileiros, como Maduro Bank, Loja Leon, Nunes da Fonseca, Morão Henriques, Álvares Correa, etc.
Lá existe o distrito de Otrobanda, ou seja, “outra banda” ou “outro lado” – a zona residencial de Willemstad.
E observem o seguinte versinho: Dedé pikini (Dedo mindinho)/ Ku su bisinia (Com seu vizinho)/ Maior di tur (Maior de todos)/ Fula bonba (Fura-bolo)/ Y mata picow (E mata piolho).
Ocorre-me que a própria denominação "papiamento" pode derivar de "papear", conversar, assim como "parlamento" vem de "parlar", falar, entender-se, discutir, por aí. Enfim, a língua de Curaçau é mais uma prova da "miscigenação" de culturas e, em particular, do vigor e amplidão da nossa muitas vezes desprezada língua portuguesa, usada por mais de 200 milhões de pessoas em Andorra, Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Namíbia, Portugal, São Tomé e Príncipe, Índia, África do Sul e 20 outros países, sendo oficial em nove, conforme dados da Wikipédia.
Curaçau é conhecida como "A Pequena Amsterdã", por suas ruas e prédios que lembram a metrópole holandesa. E também é conhecida pelo seu licor: o Licor de Curaçau, mundialmente falsificado e multicor. A bebida original é feita (ainda hoje, pelo que sei) a partir do óleo da casca de uma laranja amarguenta, fruto da adaptação de uma laranjeira trazida pelos espanhóis, a Valença, e que sofreu alterações "fisiológicas" pelo clima e solo da ilha.
Bem, vocês sabem o que quer dizer "curaçau"?
Sim! Quer dizer "coração". Percebam que é muito parecido com o jeito (sotaque) que os portugueses ainda hoje falam a palavra "coração": “Oh, bela rapariga, meu curaçau é todo seu!”
Pois em Curaçau se fala uma língua onde há muito do português, o papiamento. Colonizada por holandeses e africanos, a cultura e a língua nativas de Curaçau tiveram influência de famílias judias (os chamados sefaradim) saídas do Brasil, fugindo da inquisição (perseguição da Igreja Católica) em nosso país, lá em meados do século XVII.
O papiamento tem também fortes origens em outro arquipélago, o Cabo Verde, entreposto de escravos africanos usados por Portugal – na época deste abjeto comércio –, depois levados para trabalhar na América. Além, entram elementos do inglês, espanhol e francês, além do holandês e português, que já mencionei. Essa língua "misturada" e única é oficial em Curaçau, ao contrário do que acontece nas outras ilhas do arquipélago, que adotaram o idioma do colonizador (ou invasor?).
Algumas expressões: “Bom bini”, quer dizer, “Bem-vindo”; “Masha danky, amigu”, significa “Muito obrigado, amigo.”
Há bancos e lojas em Willemstad, que é a capital do arquipélago, em Curaçau, com nomes e sobrenomes tipicamente luso-brasileiros, como Maduro Bank, Loja Leon, Nunes da Fonseca, Morão Henriques, Álvares Correa, etc.
Lá existe o distrito de Otrobanda, ou seja, “outra banda” ou “outro lado” – a zona residencial de Willemstad.
E observem o seguinte versinho: Dedé pikini (Dedo mindinho)/ Ku su bisinia (Com seu vizinho)/ Maior di tur (Maior de todos)/ Fula bonba (Fura-bolo)/ Y mata picow (E mata piolho).
Ocorre-me que a própria denominação "papiamento" pode derivar de "papear", conversar, assim como "parlamento" vem de "parlar", falar, entender-se, discutir, por aí. Enfim, a língua de Curaçau é mais uma prova da "miscigenação" de culturas e, em particular, do vigor e amplidão da nossa muitas vezes desprezada língua portuguesa, usada por mais de 200 milhões de pessoas em Andorra, Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Namíbia, Portugal, São Tomé e Príncipe, Índia, África do Sul e 20 outros países, sendo oficial em nove, conforme dados da Wikipédia.
domingo, 28 de junho de 2009
A língua é sua e soa do seu jeito
Depois de um monte de "testes", cheguei a denominação "Sua Língua" para este blog. Havia ao menos três dificuldades (ou desafios): (1ª) criar uma denominação que comunicasse/expressasse o "espírito" da proposta do espaço - para textos e outras referências ligadas aos atos de se expressar pela escrita e o prazer que pode haver nisto e na leitura; (2ª) ter um nome com uma boa "sonoridade", uma "poesia", um "apelo estético" bacana; (3ª) haver uma disponibilidade no Blogger para tal denominação (não é tão fácil assim achar palavras ou expressões que alguém já não registrou...). Enfim, acho que deu certo e aí está: Sua Língua.
Sua de tua, nossa, vossa língua, linguajar; o expressar próprio de cada pessoa, das gentes de diferentes regiões do Brasil e do mundo.
Sua pode levar (forçando um pouco) a soa ou soar, ou seja, parecer com, evocar, lembrar coisas - um dos objetivos do ato de comunicar-se, falar a sua língua.
Podemos chegar a suar - no sentido de exercitar-se, de praticar essa arte de escrever (e ler), de falar também, de mexer a língua com a nossa diversa desenvoltura - algo sempre pessoal e dependente de inúmeros fatores que nos conformam com um indivíduo, animal humano.
Sua Língua também para falarmos do português enquanto idioma - às vezes desprezado por nós mesmos, falantes da língua, criados nela; tendo-a como a materna, mas desdenhando em favor do inglês; achando-a de "língua de subdesenvolvidos". Mais um elemento para não termos gosto por ler e escrever...
PRETENSÃO - Bem, a "pretensão maior" deste blog é colaborar para o "desbloqueio dos processos de escrita e leitura". A idéia é incentivar a "livre expressão" e o gosto pela leitura.
Não raro, é na escola que, paradoxalmente, após nos alfabetizarmos, no seguir dos anos, somos traumatizados - e aí muitos começam a detestar ler e escrever. Métodos inadequados, professores equivocados, despreparados ou adoecidos psicologicamente, acabam por conduzir a criança e o jovem a um DESGOSTO com a arte e atividade de redigir. Aliás, esta palavra - e seus sinônimos e derivações - podem causar funestos arrepios (literalmente). E então o que é em essência um dos vários meios de expressão, comunicação e (auto)conhecimento, torna-se um peso, um mal-estar, um desprazer, um SACO.
Sua de tua, nossa, vossa língua, linguajar; o expressar próprio de cada pessoa, das gentes de diferentes regiões do Brasil e do mundo.
Sua pode levar (forçando um pouco) a soa ou soar, ou seja, parecer com, evocar, lembrar coisas - um dos objetivos do ato de comunicar-se, falar a sua língua.
Podemos chegar a suar - no sentido de exercitar-se, de praticar essa arte de escrever (e ler), de falar também, de mexer a língua com a nossa diversa desenvoltura - algo sempre pessoal e dependente de inúmeros fatores que nos conformam com um indivíduo, animal humano.
Sua Língua também para falarmos do português enquanto idioma - às vezes desprezado por nós mesmos, falantes da língua, criados nela; tendo-a como a materna, mas desdenhando em favor do inglês; achando-a de "língua de subdesenvolvidos". Mais um elemento para não termos gosto por ler e escrever...
PRETENSÃO - Bem, a "pretensão maior" deste blog é colaborar para o "desbloqueio dos processos de escrita e leitura". A idéia é incentivar a "livre expressão" e o gosto pela leitura.
Não raro, é na escola que, paradoxalmente, após nos alfabetizarmos, no seguir dos anos, somos traumatizados - e aí muitos começam a detestar ler e escrever. Métodos inadequados, professores equivocados, despreparados ou adoecidos psicologicamente, acabam por conduzir a criança e o jovem a um DESGOSTO com a arte e atividade de redigir. Aliás, esta palavra - e seus sinônimos e derivações - podem causar funestos arrepios (literalmente). E então o que é em essência um dos vários meios de expressão, comunicação e (auto)conhecimento, torna-se um peso, um mal-estar, um desprazer, um SACO.
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