Em Santa Cruz do Sul, montamos uma comu no orkut "baseados" nas possibilidades do uso da língua portugueza compartilhando entre gentes de diversos pontos do planeta. Mais abaixo, segue a descrição da comu e o link para acessá-la.
Lusofonia Santa Cruz do Sul
Lusofonia Santa Cruz do Sul é uma comunidade de intercâmbios de pessoas lusófonas - ou seja, que falam o Português - do mundo inteiro. A Língua Portuguesa, calcula-se, é falada por cerca de 250 milhões de pessoas e é o idioma oficial em oito países - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Thomé e Timor Leste. Além de ser de uso cotidiano em muitas regiões da Terra (China e Índia, por ex.) e entre diversos grupos (emigrados lusófonos no Canadá, na França, etc.). Sem falar em idiomas similares, como o Papiamentu (Antilhas Holandesas) e Galician (Galícia). Enfim, a proposta é fomentar a comunicação, a integração, a ajuda mútua entre santa-cruzenses e gente de outros lugares que comungam da Língua Portuguesa e, bem provavelmente, da influência histórica da colonização e cultura portuguesas. Embora - que fique bem evidente! - não se trata, nesta comunidade orkuteira, de "cultivar raízes" ou se fazer algum tipo de apologia a Portugal, gabando-se de descendência lusitana ou algo similar.
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=27085563
Há várias outras comunidades que pretendem ligar pessoas pelo uso comum do Português. Sugiro esta também:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=45905302
Sua Língua
Para se ter prazer em ler e escrever é preciso ir além da gramática, das escolas literárias e técnicas prontas.
domingo, 13 de setembro de 2009
Países onde se fala o português
Só para ilustrar um pouco a quantidade e variedade de países e regiões do mundo que falam o português, colo pra vocês uma notícia retirada da Wikipédia:
Países lusofônicos em jogos
Os Jogos da Lusofonia de 2009 foram a segunda edição dos Jogos da Lusofonia, evento multiesportivo disputado pela comunidade de países de língua portuguesa representados por seus respectivos Comitês Olímpicos Nacionais. Foi realizado em Lisboa, Portugal, entre 11 e 19 de julho de 2009.
Países participantes
No total, 12 países lusófonos representados por seus respectivos comitês olímpicos nacionais enviaram delegações de atletas e comissões técnicas. Assim, todos os membros da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) participaram da segunda edição.
Gana e a ilha indonésia das Flores mostraram interesse em participar, mas não chegaram a apresentar inscrição.
Países participantes dos II Jogos da Lusofonia.
Membros plenos da ACOLOP
Angola
Brasil
Cabo Verde
Guiné-Bissau
Macau
Moçambique
Portugal
São Tomé e Príncipe
Timor-Leste
Membros associados da ACOLOP
Guiné Equatorial
Índia
Sri Lanka
Países lusofônicos em jogos
Os Jogos da Lusofonia de 2009 foram a segunda edição dos Jogos da Lusofonia, evento multiesportivo disputado pela comunidade de países de língua portuguesa representados por seus respectivos Comitês Olímpicos Nacionais. Foi realizado em Lisboa, Portugal, entre 11 e 19 de julho de 2009.
Países participantes
No total, 12 países lusófonos representados por seus respectivos comitês olímpicos nacionais enviaram delegações de atletas e comissões técnicas. Assim, todos os membros da Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP) participaram da segunda edição.
Gana e a ilha indonésia das Flores mostraram interesse em participar, mas não chegaram a apresentar inscrição.
Países participantes dos II Jogos da Lusofonia.
Membros plenos da ACOLOP
Angola
Brasil
Cabo Verde
Guiné-Bissau
Macau
Moçambique
Portugal
São Tomé e Príncipe
Timor-Leste
Membros associados da ACOLOP
Guiné Equatorial
Índia
Sri Lanka
Língua - Vida em Português
Documentário muito bacana lançado em 2004. Uma produção Brasil-Portugal.
"O diretor Victor Lopes leva às telas um passeio pelos países onde se fala português e como a língua é transformada em cada país."
Sinopse
Todo dia duzentas milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe.
FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/lingua/lingua.asp
"O diretor Victor Lopes leva às telas um passeio pelos países onde se fala português e como a língua é transformada em cada país."
Sinopse
Todo dia duzentas milhões de pessoas levam suas vidas em português. Fazem negócios e escrevem poemas. Brigam no trânsito, contam piadas e declaram amor. Todo dia a língua portuguesa renasce em bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses. Novas línguas mestiças, temperadas por melodias de todos os continentes, habitadas por deuses muito mais antigos e que ela acolhe como filhos. Língua da qual povos colonizados se apropriaram e que devolvem agora, reinventada. Língua que novos e velhos imigrantes levam consigo para dizer certas coisas que nas outras não cabe.
FONTE: http://www.adorocinema.com/filmes/lingua/lingua.asp
Textos sob encomenda
Pessoal,
Montei uma pequena (mas pretensiosamente eficiente) estrutura para oferecer serviços de redação voltados à publicidade e congêneres. Ta valendo (ou estão valendo) textos pra sites, folders, manuais, cartazes; também entram aí releases, criação de denominações, slogans e até coisas de literatura, como crônicas e contos encomendados. Posso fazer revisões - de estilo e gramaticais. E se precisarem de nota fiscal, ta na mão. E-mail para contato: iuriaz@hotmail.com
Redação de
-Folders
-Folhetos
-Malas diretas
-Manuais
-Prospectos
-Livretos
-Releases
-Resenhas
-Informes
-Textos para anúncios, embalagens, cartazes, avisos, sites etc.
-Textos literários com fins comerciais – crônicas, contos, poemas etc.
-Denominações - para empresas, empreendimentos, entidades, projetos, campanhas, movimentos etc.
-Slogans
-Roteiros
-Correspondências
-Revisões
-Etc.
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segunda-feira, 29 de junho de 2009
Bingo!!!
A Microsoft lançou o seu buscador. Afora layaouts e outros diferenciais em relação ao manda-chuva dos “oráculos”, o Google, quero falar neste momento um pouquinho sobre a denominação escolhida pelo pessoal da empresa do Bill Gates. Pois eles escolheram (colheram no universo de palavras) a denominação “Bling”.
Às vezes pode parecer bastante simples e pouco trabalhoso se chegar a um nome para uma empresa, empreendimento, entidade, campanha, projeto etc. Mas geralmente não é bem assim. Na verdade, normalmente exige muito conhecimento e certas sensibilidades, derivadas de diversas experiências e de um inequívoco profissionalismos na área.
Na reportagem de ZH Digital, saída em 10 de junho passado (2009), Vanessa Nunes escreve que o codinome para o Bing durante os testes era Kumo. Antes disso, se chamava Windows Live Serch. Mas afirmou-se como Bing “por ser curto e sonoro”.
Carolina Aranha, gerente de serviços online da Microsoft Brasil, diz o seguinte:
“Precisávamos de um nome que representasse esse momento em que encontramos [na internet] aquilo que estávamos procurando. Está ligado [o nome Bing] à idéia de ‘bingo’”.
Repito: quando está assim “pronto”, tendemos a pensar que a denominação “nasceu” de uma forma fácil e até “espontânea”. Mas se pode ter certeza que implicou muito trabalho e “destreza” de uma equipe.
Não raro, a negligência à consulta de profissionais no assunto – isso de “deixa, que eu mesmo vou criar o nome” – acaba gerando denominações equivocadas e que colaboram muito para que o negócio ligeiro vá à breca.
Assim é que o investimento em “especialistas no assunto” pode ser muito rentável e evitar desperdícios, com trocas posteriores de denominação, quando não a perda total do capital aplicado num negócio onde muitos julgam (injusta e "tragicamente") o “dar um nome” somente “um detalhe”...
Às vezes pode parecer bastante simples e pouco trabalhoso se chegar a um nome para uma empresa, empreendimento, entidade, campanha, projeto etc. Mas geralmente não é bem assim. Na verdade, normalmente exige muito conhecimento e certas sensibilidades, derivadas de diversas experiências e de um inequívoco profissionalismos na área.
Na reportagem de ZH Digital, saída em 10 de junho passado (2009), Vanessa Nunes escreve que o codinome para o Bing durante os testes era Kumo. Antes disso, se chamava Windows Live Serch. Mas afirmou-se como Bing “por ser curto e sonoro”.
Carolina Aranha, gerente de serviços online da Microsoft Brasil, diz o seguinte:
“Precisávamos de um nome que representasse esse momento em que encontramos [na internet] aquilo que estávamos procurando. Está ligado [o nome Bing] à idéia de ‘bingo’”.
Repito: quando está assim “pronto”, tendemos a pensar que a denominação “nasceu” de uma forma fácil e até “espontânea”. Mas se pode ter certeza que implicou muito trabalho e “destreza” de uma equipe.
Não raro, a negligência à consulta de profissionais no assunto – isso de “deixa, que eu mesmo vou criar o nome” – acaba gerando denominações equivocadas e que colaboram muito para que o negócio ligeiro vá à breca.
Assim é que o investimento em “especialistas no assunto” pode ser muito rentável e evitar desperdícios, com trocas posteriores de denominação, quando não a perda total do capital aplicado num negócio onde muitos julgam (injusta e "tragicamente") o “dar um nome” somente “um detalhe”...
Camões e caboclos
Um Português muito antigo continua presente em falares de muita gente no Brasil e também em outras regiões lusófonas espalhadas pelo mundo. Aqui em nosso país, este falar, que revela uma permanência de elementos do idioma da época de Camões – ou até antes do tempo de vida do autor de Os Lusíadas – quase sempre é confundida com “falta de cultura”, no sentido de “carência de conhecimentos”.
Assim é que “nós, os cultos”, cheios de classeocentrimo, encaramos com um sorriso superior e desdenhoso ou mesmo nos escandalizamos ostensivamente quando ouvimos alguém dizer “carça” ao invés de “calça”, “bassoura” ao invés de “vassoura”, “bamo” ao invés de “vamos”, “mió” ao invés de “melhor” e várias outras tantas palavras ainda usuais. Julgamos, “nós, os esclarecidos”, estarmos diante de “gente ignorante”, que “não sabe falar corretamente”. Talvez se, de fato, tivéssemos conhecimentos mais vastos e um respeito humano maior, poderíamos ponderar que, antes de “erros”, estamos diante de formas de falar o Português (um dialeto ou semi-dialeto) que mantém laços com os falares antiguíssimos, trazidos pelos primeiros lusitanos que ocuparam o território brasileiro; resquícios de um modo de falar que já foi dominante e permaneceu conservado em determinadas comunidades em nosso país.
Acontece que as pessoas (enquanto grupo ou individualmente) que se usam de um vocabulário com tais “arcadismos” são seguidamente objetos de preconceito, que leva à discriminação. Piadas e gozações humilhantes são a demonstração e, ao mesmo tempo, um meio de difusão e reforço à exclusão do caboclo e do “vileiro”, ambos personagens segregados na periferia urbana brasileira.
O padrão dito “culto” do Português deriva de um processo, em última instância, baseado em arbitrariedades de quem, historicamente, detém o poder político-econômico – e não de alguma “inteligência mais elevada”. Ou seja, se falar “carça”, “bassoura”, “bamo”, “mió” não significa “inferioridade mental”, mas, simplesmente, a manutenção de traços lingüísticos com origens lá no Latim – o idioma trazido pelos soldados romanos já no século III a.C para a Península Ibérica, e que, em combinações múltiplas e complexas ao longo da história, veio a dar no Português de hoje, que, como língua viva, não parou nem vai parar de alterar-se na interação com diversos fatores da contemporaneidade.
Enfim, os falares “sertanejos”, “interioranos”, “caboclos”, “serranos”, “dos pobres”, “dos incultos” são variantes que deveriam ser mais estudadas, e não desprezadas como se fossem excrescências, subprodutos, lixos lingüísticos inaproveitáveis. Ao contrário: são, como já foi dito, permanências – do Português arcaico, como é chamado pelos estudiosos – que, por tradições culturais localizadas ou/e pelo isolamento geográfico, social e econômico de certas populações, manifestam a rica diversidade brasileira, e também de outros lugares do planeta, que usam “a última flor de Lácio” (como diz o poema de Olavo Billac, se referindo ao Português, uma língua com raízes na região central da atual Itália) com instrumento de comunicação.
* Num texto da primeira metade do século XV, a Crônica de D. Fernando, lê-se palavras grafadas exatamente assim: poboo ao invés de povo (o que era “b” virou “v”, como no caso de vassoura, que muitos ainda dizem “bassoura”); senssivees ao invés de sensíveis; fremosa ao invés de formosa; acreçentamento ao invés de acréscimo; comsselhou ao invés de aconselhou, etc.
** Li no Caderno de Cultura de ZH (26/02/05) a entrevista com o diretor do filme Língua, Victor Lopes. É sobre o Português falado em diversos lugares do planeta. “Toda noite, 200 milhões de pessoas sonham em Português”, diz o moço nascido em Moçambique (mas de nacionalidade portuguesa e radicada no Brasil há 28 anos – ele tem 41). Lopes também diz que é uma “relação de afeto” que faz uma língua sobreviver, mesmo sendo uma “entidade mutante”. Pela diversidade de comunidades lusófonas espalhadas por todos os continentes, Lopes afirma que “a língua portuguesa continua um grande laboratório da troca entre pessoas de culturas variadas”, completando: “O Brasil é um universo em si e a maneira como a língua é falada aqui também. O português mais bonito para mim é do Nordeste. Fico absolutamente fascinado porque mesmo os analfabetos usam a língua de uma maneira tão rica, tão forte: falam corretamente, misturam português arcaico com elementos africanos e gírias contemporâneas. É muito bonito.” Dizem que o filme nos faz observar a importância e complexidade gramatical, histórica, cultural e até geográfica do Português; faz-nos sentir “apaixonado[s], encantado[s] pela língua portuguesa”. Lopez assevera: “Brasileiro tem mania de subestimar sua língua, de achar que o inglês é mais importante”.
*** No livro O que é o português brasileiro, o autor, Hildo H. do Couto, lingüista e professor da UnB, propõe uma comparação entre três frases grafadas no chamado “português culto”, no “português caboclo” e em inglês. Respectivamente: “Todas as meninas pequenas chegaram atrasadas”; “As menina pequena chegô tudo atrasado” e “All the young little girls arrived late”. Após esclarecer que a variante cabocla nada mais é de que um desenvolvimento particular da língua portuguesa e não algum tipo de aberração, diz que a frase é perfeita “do ponto de vista da informação a ser transmitida”. O lingüista destaca que “a frase culta informa seis vezes (em todas as palavras) que se trata de mais de um (plural), e cinco vezes “que se trata de ser do sexo feminino”. Sem esta profusão de indicações de número plural e ser feminino, Couto pergunta: “quem ousaria dizer que a frase cabocla não informa tudo que a culta informa?” A seguir, compara a frase equivalente em inglês (anotada acima) com as variantes “culta” e “cabocla”, concluindo que o a fala característica de regiões interioranas do Brasil se aproxima muito mais da língua mais “chique” e internacional do mundo contemporâneo. Encerra o seu raciocínio dizendo que “o conceito de ‘bom’, ‘correto’, ‘superior’ e outros semelhantes não são absolutos, mas relativos a contextos”.
Assim é que “nós, os cultos”, cheios de classeocentrimo, encaramos com um sorriso superior e desdenhoso ou mesmo nos escandalizamos ostensivamente quando ouvimos alguém dizer “carça” ao invés de “calça”, “bassoura” ao invés de “vassoura”, “bamo” ao invés de “vamos”, “mió” ao invés de “melhor” e várias outras tantas palavras ainda usuais. Julgamos, “nós, os esclarecidos”, estarmos diante de “gente ignorante”, que “não sabe falar corretamente”. Talvez se, de fato, tivéssemos conhecimentos mais vastos e um respeito humano maior, poderíamos ponderar que, antes de “erros”, estamos diante de formas de falar o Português (um dialeto ou semi-dialeto) que mantém laços com os falares antiguíssimos, trazidos pelos primeiros lusitanos que ocuparam o território brasileiro; resquícios de um modo de falar que já foi dominante e permaneceu conservado em determinadas comunidades em nosso país.
Acontece que as pessoas (enquanto grupo ou individualmente) que se usam de um vocabulário com tais “arcadismos” são seguidamente objetos de preconceito, que leva à discriminação. Piadas e gozações humilhantes são a demonstração e, ao mesmo tempo, um meio de difusão e reforço à exclusão do caboclo e do “vileiro”, ambos personagens segregados na periferia urbana brasileira.
O padrão dito “culto” do Português deriva de um processo, em última instância, baseado em arbitrariedades de quem, historicamente, detém o poder político-econômico – e não de alguma “inteligência mais elevada”. Ou seja, se falar “carça”, “bassoura”, “bamo”, “mió” não significa “inferioridade mental”, mas, simplesmente, a manutenção de traços lingüísticos com origens lá no Latim – o idioma trazido pelos soldados romanos já no século III a.C para a Península Ibérica, e que, em combinações múltiplas e complexas ao longo da história, veio a dar no Português de hoje, que, como língua viva, não parou nem vai parar de alterar-se na interação com diversos fatores da contemporaneidade.
Enfim, os falares “sertanejos”, “interioranos”, “caboclos”, “serranos”, “dos pobres”, “dos incultos” são variantes que deveriam ser mais estudadas, e não desprezadas como se fossem excrescências, subprodutos, lixos lingüísticos inaproveitáveis. Ao contrário: são, como já foi dito, permanências – do Português arcaico, como é chamado pelos estudiosos – que, por tradições culturais localizadas ou/e pelo isolamento geográfico, social e econômico de certas populações, manifestam a rica diversidade brasileira, e também de outros lugares do planeta, que usam “a última flor de Lácio” (como diz o poema de Olavo Billac, se referindo ao Português, uma língua com raízes na região central da atual Itália) com instrumento de comunicação.
* Num texto da primeira metade do século XV, a Crônica de D. Fernando, lê-se palavras grafadas exatamente assim: poboo ao invés de povo (o que era “b” virou “v”, como no caso de vassoura, que muitos ainda dizem “bassoura”); senssivees ao invés de sensíveis; fremosa ao invés de formosa; acreçentamento ao invés de acréscimo; comsselhou ao invés de aconselhou, etc.
** Li no Caderno de Cultura de ZH (26/02/05) a entrevista com o diretor do filme Língua, Victor Lopes. É sobre o Português falado em diversos lugares do planeta. “Toda noite, 200 milhões de pessoas sonham em Português”, diz o moço nascido em Moçambique (mas de nacionalidade portuguesa e radicada no Brasil há 28 anos – ele tem 41). Lopes também diz que é uma “relação de afeto” que faz uma língua sobreviver, mesmo sendo uma “entidade mutante”. Pela diversidade de comunidades lusófonas espalhadas por todos os continentes, Lopes afirma que “a língua portuguesa continua um grande laboratório da troca entre pessoas de culturas variadas”, completando: “O Brasil é um universo em si e a maneira como a língua é falada aqui também. O português mais bonito para mim é do Nordeste. Fico absolutamente fascinado porque mesmo os analfabetos usam a língua de uma maneira tão rica, tão forte: falam corretamente, misturam português arcaico com elementos africanos e gírias contemporâneas. É muito bonito.” Dizem que o filme nos faz observar a importância e complexidade gramatical, histórica, cultural e até geográfica do Português; faz-nos sentir “apaixonado[s], encantado[s] pela língua portuguesa”. Lopez assevera: “Brasileiro tem mania de subestimar sua língua, de achar que o inglês é mais importante”.
*** No livro O que é o português brasileiro, o autor, Hildo H. do Couto, lingüista e professor da UnB, propõe uma comparação entre três frases grafadas no chamado “português culto”, no “português caboclo” e em inglês. Respectivamente: “Todas as meninas pequenas chegaram atrasadas”; “As menina pequena chegô tudo atrasado” e “All the young little girls arrived late”. Após esclarecer que a variante cabocla nada mais é de que um desenvolvimento particular da língua portuguesa e não algum tipo de aberração, diz que a frase é perfeita “do ponto de vista da informação a ser transmitida”. O lingüista destaca que “a frase culta informa seis vezes (em todas as palavras) que se trata de mais de um (plural), e cinco vezes “que se trata de ser do sexo feminino”. Sem esta profusão de indicações de número plural e ser feminino, Couto pergunta: “quem ousaria dizer que a frase cabocla não informa tudo que a culta informa?” A seguir, compara a frase equivalente em inglês (anotada acima) com as variantes “culta” e “cabocla”, concluindo que o a fala característica de regiões interioranas do Brasil se aproxima muito mais da língua mais “chique” e internacional do mundo contemporâneo. Encerra o seu raciocínio dizendo que “o conceito de ‘bom’, ‘correto’, ‘superior’ e outros semelhantes não são absolutos, mas relativos a contextos”.
Curaçau
Quero comentar uma matéria – uma das várias interessantes que li numa pilha de Revista Geográfica Universal dos anos de 1980 e início dos 90, editadas pela Bloch, que o camarada Rafael Amorim me emprestou dias atrás. Saiu no número de fevereiro de 1990, falando sobre a ilha de Curaçau, que forma o arquipélago da Antilhas Holandesas, no Caribe, a 60 quilômetros da costa da Venezuela.
Curaçau é conhecida como "A Pequena Amsterdã", por suas ruas e prédios que lembram a metrópole holandesa. E também é conhecida pelo seu licor: o Licor de Curaçau, mundialmente falsificado e multicor. A bebida original é feita (ainda hoje, pelo que sei) a partir do óleo da casca de uma laranja amarguenta, fruto da adaptação de uma laranjeira trazida pelos espanhóis, a Valença, e que sofreu alterações "fisiológicas" pelo clima e solo da ilha.
Bem, vocês sabem o que quer dizer "curaçau"?
Sim! Quer dizer "coração". Percebam que é muito parecido com o jeito (sotaque) que os portugueses ainda hoje falam a palavra "coração": “Oh, bela rapariga, meu curaçau é todo seu!”
Pois em Curaçau se fala uma língua onde há muito do português, o papiamento. Colonizada por holandeses e africanos, a cultura e a língua nativas de Curaçau tiveram influência de famílias judias (os chamados sefaradim) saídas do Brasil, fugindo da inquisição (perseguição da Igreja Católica) em nosso país, lá em meados do século XVII.
O papiamento tem também fortes origens em outro arquipélago, o Cabo Verde, entreposto de escravos africanos usados por Portugal – na época deste abjeto comércio –, depois levados para trabalhar na América. Além, entram elementos do inglês, espanhol e francês, além do holandês e português, que já mencionei. Essa língua "misturada" e única é oficial em Curaçau, ao contrário do que acontece nas outras ilhas do arquipélago, que adotaram o idioma do colonizador (ou invasor?).
Algumas expressões: “Bom bini”, quer dizer, “Bem-vindo”; “Masha danky, amigu”, significa “Muito obrigado, amigo.”
Há bancos e lojas em Willemstad, que é a capital do arquipélago, em Curaçau, com nomes e sobrenomes tipicamente luso-brasileiros, como Maduro Bank, Loja Leon, Nunes da Fonseca, Morão Henriques, Álvares Correa, etc.
Lá existe o distrito de Otrobanda, ou seja, “outra banda” ou “outro lado” – a zona residencial de Willemstad.
E observem o seguinte versinho: Dedé pikini (Dedo mindinho)/ Ku su bisinia (Com seu vizinho)/ Maior di tur (Maior de todos)/ Fula bonba (Fura-bolo)/ Y mata picow (E mata piolho).
Ocorre-me que a própria denominação "papiamento" pode derivar de "papear", conversar, assim como "parlamento" vem de "parlar", falar, entender-se, discutir, por aí. Enfim, a língua de Curaçau é mais uma prova da "miscigenação" de culturas e, em particular, do vigor e amplidão da nossa muitas vezes desprezada língua portuguesa, usada por mais de 200 milhões de pessoas em Andorra, Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Namíbia, Portugal, São Tomé e Príncipe, Índia, África do Sul e 20 outros países, sendo oficial em nove, conforme dados da Wikipédia.
Curaçau é conhecida como "A Pequena Amsterdã", por suas ruas e prédios que lembram a metrópole holandesa. E também é conhecida pelo seu licor: o Licor de Curaçau, mundialmente falsificado e multicor. A bebida original é feita (ainda hoje, pelo que sei) a partir do óleo da casca de uma laranja amarguenta, fruto da adaptação de uma laranjeira trazida pelos espanhóis, a Valença, e que sofreu alterações "fisiológicas" pelo clima e solo da ilha.
Bem, vocês sabem o que quer dizer "curaçau"?
Sim! Quer dizer "coração". Percebam que é muito parecido com o jeito (sotaque) que os portugueses ainda hoje falam a palavra "coração": “Oh, bela rapariga, meu curaçau é todo seu!”
Pois em Curaçau se fala uma língua onde há muito do português, o papiamento. Colonizada por holandeses e africanos, a cultura e a língua nativas de Curaçau tiveram influência de famílias judias (os chamados sefaradim) saídas do Brasil, fugindo da inquisição (perseguição da Igreja Católica) em nosso país, lá em meados do século XVII.
O papiamento tem também fortes origens em outro arquipélago, o Cabo Verde, entreposto de escravos africanos usados por Portugal – na época deste abjeto comércio –, depois levados para trabalhar na América. Além, entram elementos do inglês, espanhol e francês, além do holandês e português, que já mencionei. Essa língua "misturada" e única é oficial em Curaçau, ao contrário do que acontece nas outras ilhas do arquipélago, que adotaram o idioma do colonizador (ou invasor?).
Algumas expressões: “Bom bini”, quer dizer, “Bem-vindo”; “Masha danky, amigu”, significa “Muito obrigado, amigo.”
Há bancos e lojas em Willemstad, que é a capital do arquipélago, em Curaçau, com nomes e sobrenomes tipicamente luso-brasileiros, como Maduro Bank, Loja Leon, Nunes da Fonseca, Morão Henriques, Álvares Correa, etc.
Lá existe o distrito de Otrobanda, ou seja, “outra banda” ou “outro lado” – a zona residencial de Willemstad.
E observem o seguinte versinho: Dedé pikini (Dedo mindinho)/ Ku su bisinia (Com seu vizinho)/ Maior di tur (Maior de todos)/ Fula bonba (Fura-bolo)/ Y mata picow (E mata piolho).
Ocorre-me que a própria denominação "papiamento" pode derivar de "papear", conversar, assim como "parlamento" vem de "parlar", falar, entender-se, discutir, por aí. Enfim, a língua de Curaçau é mais uma prova da "miscigenação" de culturas e, em particular, do vigor e amplidão da nossa muitas vezes desprezada língua portuguesa, usada por mais de 200 milhões de pessoas em Andorra, Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor Leste, Guiné-Bissau, Luxemburgo, Macau, Moçambique, Namíbia, Portugal, São Tomé e Príncipe, Índia, África do Sul e 20 outros países, sendo oficial em nove, conforme dados da Wikipédia.
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